29 de junho de 2009

Serão os jegues a fazer a revolução?


Vejam só... no mundo global, entre os uivos de ovações ao tecnológico, jegues levam livros às crianças do Maranhão e fazem de bibliotecas itinerantes!

24 de junho de 2009

Boas Férias

Karen Cooper
É tempo de descansar, para muitos umas boas férias à beira-mar ou conhecendo outros lugares. Entretanto há quem não dispense um bom livro, uma outra maneira de viajar. Lá dizia Sophia de Mello Breyner, nas palavras de um dos filhos, que viajar também é olhar. Vindo de Sophia, só poderia querer dizer que viajar é ver. E porque a viagem da leitura também nos permite olhar e ver, às vezes de forma mais real do que a própria realidade, breve espero conseguir tempo para deixar aqui mais algumas sugestões de leitura para as férias.

Marcada

de P.C Cast & Kristin Cast

Zoey Redbird é uma adolescente de 16 anos que vive num mundo igual ao nosso, com uma única excepção: os vampiros não só existem como são aceites na sociedade.
Os humanos que são “marcados” pelos vampyros como sendo especiais entram na Casa da Noite, uma escola onde se vão transformar em vampiros ou, se o corpo o rejeitar, morrer.
Para Zoey, apesar do medo inicial, ser marcada é uma verdadeira bênção, porque ela nunca se sentiu encaixada no mundo normal e sempre sentiu que estava destinada a algo mais. Mas mesmo na nova escola a jovem sente-se diferente dos outros: é que a marca que a Deusa Nyx -Deusa dos vampiros - lhe fez é especial, mostrando que os seus poderes são muito fortes para alguém tão jovem. Na Casa da Noite, Zoey acaba por encontrar amizade e amor, mas também mentira e inveja. Afinal, nem tudo está bem no mundo dos vampiros e os problemas que pensava ter deixado para trás não se comparam aos desafios que tem pela frente.

Bárbara Herculano, 9ºB

22 de junho de 2009

História das Palavras

As mulheres e os homens estavam espalhados pela Terra. Uns estavam maravilhados, outros tinham-se cansado. Os que estavam maravilhados abriam a boca, os que se tinham cansado também abriam a boca. Ambos abriam a boca.
Houve um homem sozinho que se pôs a espreitar esta diferença - havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cansadas.
Depois ainda espreitou melhor: Todas as pessoas estavam maravilhadas, depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cansadas.
As pessoas estavam tristes ou alegres conforme a luz para cada um - mais luz, alegres - menos luz, tristes.
O homem sozinho ficou a pensar nesta diferença. Para não esquecer, fez uns sinais numa pedra.
Este homem sozinho era da minha raça - era um Egípcio!
Os sinais que ele gravou na pedra para medir a luz por dentro das pessoas, chamaram-se hieróglifos.
Mais tarde veio outro homem sozinho que tornou estes sinais ainda mais fáceis. Fez vinte e dois sinais que bastavam para todas as combinações que há ao Sol.
Este homem sozinho era da minha raça - era um Fenício.
Cada um dos vinte e dois sinais era uma letra. Cada combinação de letras uma palavra.
Todos dias faz anos que foram inventadas as palavras.
É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras.
Almada Negreiros (1893-1970)

20 de junho de 2009

Balanço Primeiro


O ano lectivo chegou ao fim para a maioria dos alunos. Muitos ainda na azáfama dos exames. As férias sonhadas aproximam-se e essas, pensamos, são um direito constitucional. As nossas mentes já sonham com as viagens e com o mar. E este solzinho que deus nos deu, apesar de desregulado com tanta poluição, continua a entrar-nos pela alma adentro e a inspirar os nossos jardins. Urge também tranquilamente fazer o balanço do desempenho de cada um. Pela parte que me toca, nunca vivi um ano lectivo tão stressante, irritante, angustiante e sem sentido, uma vez que parece que, de repente, a sociedade portuguesa, em massa, foi lançada para um palco onde todos vestimos a pele de cordeiro. Francamente, não me integro neste modelo de escola e de sociedade que se pretende criar, onde a excelência vive da aparência e passa por cima de quem quer simplesmente liberdade para fazer bem, mais e melhor, sem a burocracia do papel e a ilusão da imagem. Com ou sem quadros electrónicos, o professor é o agente fundamental na grande missão de educar. Para aprender. Para ser. Para fazer. Para pensar. Nada substitui a incomensurável capacidade do ser humano de comunicar, ajudando a desbravar caminhos alternativos no mundo mecânico em que nos estamos a transformar. A construção de uma sociedade e da pessoa humana não pode ser feita à custa do espezinhamento do outro. Conquistámos a democracia para que todos tivéssemos um lugar ao sol e esse lugar ao sol exige sacrifícios, mas não exclui o respeito pelos valores ancestrais e intemporais. E são estes valores que me fazem gostar de ser professora e é neles que vou buscar a fonte para enfrentar o futuro que já bate à porta.
Neste blog de leituras, os livros tornaram-se as pontes de crescimento pessoal de muitos dos alunos participantes. Isso, creio que é uma evidência de que falarei noutro post.

9 de junho de 2009

Sangue Fresco

de Charlaine Harris


Numa época em que os vampiros já fazem parte da humanidade, sendo tratados como pessoas normais, estes já não se alimentam de sangue humano, bebendo sangue sintético. Sookie Stackhouse é uma empregada de bar numa vila de Louisiana, que tem, como ela lhe chama, uma deficiência. Tem o poder de ouvir os pensamentos dos outros. Então surge Bill, alto, moreno, simpático e mais, Sookie não lhe consegue ouvir os pensamentos, o que é fantástico. Mas Bill tem também a sua “deficiência”, é vampiro.
Entretanto começam a ocorrer, nesta pequena vila, uma serie de crimes e Sookie logo percebe que estes apenas trarão mais problemas. “Aos poucos, uma nova subcultura dispersa-se um pouco por todos os lados e descobre-se que o próprio sangue dos vampiros funciona nos humanos como uma das drogas mais poderosas e desejadas. Será que ao aceitar os vampiros a humanidade acabou de aceitar a sua própria extinção?”

Ana Luisa, 9ºB

7 de junho de 2009

Um país para lá do azul do céu

de Susanna Tamaro

Este livro fala de quatro histórias drásticas de emigração num país desenvolvido (Itália), em que a primeira relata a vida de Rossella, uma rapariga cabo-verdiana, que vai para Itália à procura de uma vida melhor. Vai para lá como empregada doméstica de um idoso, que lhe faz a vida negra, pois é uma pessoa extremamente racista e maluca, visto que fala com um fantasma. A segunda narra a história de Nabila que, quando o seu marido Tiru morre, decide ir com o seu filho para o estrangeiro, mas clandestinamente, e cruza-se com a dificuldade de atravessar a fronteira de um país sem morrer. A terceira relata a história de Salvacion, de 19 anos, natural da América latina, que trabalha na casa de um doutor, como empregada doméstica, até que o doutor adoece e é abusada por ele. A partir daí, por necessidade, finge que nada aconteceu, mas vive com essa angústia para o resto da vida. A quarta narra a história de Carla e António que querem adoptar uma criança, a qual vão buscar a África. A criança era de raça negra e, por isso, Carla não consegue relacionar-se com ela e chega a entrar em desespero, tentando o seu suicídio ou a morte da criança.

Isabel Revelles
9ºB

25 de maio de 2009

Cemitério de Pianos

de José Luís Peixoto

Esta obra literária de José Luís Peixoto é incrivelmente inspiradora. Por ser uma obra lírica, repleta de sentimentos e expressões, torna-se muito agradável e bonita. Apesar de ser um livro bastante confuso, pois são três histórias simultaneamente contadas, a de um avô, pai e filho, o que nos faz muitas vezes confundir as histórias de cada um deles. Mas, ao longo do tempo, aprendemos a dominar a história.

Cemitério de pianos é uma narrativa com três histórias encaixadas, em que a história principal é a do avô. O livro começa com a sua morte, contando a sua vida e o que vê no mundo no momento. O seu filho conta a história da sua vida, assim como o neto.

Três vidas diferentes em três épocas diferentes. Enquanto o avô conta a sua vida ou o que vê, o filho corre numa maratona dos jogos olímpicos e o neto trabalha numa oficina. Ao longo do livro, as suas vidas cruzam-se, confundindo o leitor e tornando a leitura complicada. Ambos trabalhavam numa oficina, onde havia uma espécie de cemitério de pianos, que era uma sala repleta de pianos estragados à espera do tempo. Nesse cemitério, esta família passou momentos inesquecíveis, desde amor, traições a descobrimentos. Nos jogos olímpicos, Francisco (filho) morre de exaustão e, nesse mesmo momento, o seu filho Francisco (neto) nasce.

Podemos dizer que esta obra lírica começa e acaba com a morte e a vida, repleta de sentimentos e emoções, de expressões, de palavras e versos maravilhosos.
Um dos livros mais bonitos (mas o mais difícil) que já li.
Isabel Revelles, 9ºB
Nota da prof.:
Pois é... os bons leitores precisam de asas para voar e estas não nascem entre paredes sagradas... é na relação com o outro que tudo começa... a Isabel foi à Biblioteca da Azinhaga e escolheu Cemitério dos Pianos, mas antes precisou de ser contagiada pelo bichinho da leitura... Estou ao dispor, para explicar melhor.

23 de maio de 2009

Fazes-me Falta

de Inês Pedrosa

Fazes-me Falta é um romance a duas vozes: a primeira pertence a uma pessoa que acabou de morrer, embora não consiga encontrar o eterno descanso, por continuar demasiado ligada à vida e às pessoas que deixou. É uma alma que vagueia, perdida nos momentos e nas curvas do tempo. A segunda voz sai da garganta de alguém que sofreu a perda de uma pessoa muito próxima, um complemento dela, um anexo da sua alma. Esta voz viaja nas dores das ausências, dos silêncios, nas interrogações acerca da morte. Este livro conduz à reflexão: Amamos as pessoas como devemos? Enquanto podemos?
Elkye Lpes, 9ºB
Nota da Prof.: de vez em quando, os jovens surpreendem-nos com as suas escolhas e mostram-nos que, a seu tempo, os limites abrem-se em horizontes...

20 de maio de 2009

O Sorriso das Estrelas

de Nicholas Sparks

Adrienne Willis é uma mulher divorciada e desse casamento resultaram três filhos que teve de criar e de educar sozinha.
Amanda, a filha mais nova, está a passar por uma situação que exige todo o apoio da família, fica viúva, com dois filhos para criar, contudo não consegue suportar a perda do marido, ficando desesperada e sem vontade para viver. Adrienne, não conseguindo ver a filha assim, senta-se à sua frente e decide contar o seu mais profundo segredo.
Adrienne andava com dificuldades a nível financeiro, visto que tinha três filhos para criar sozinha e o seu pai para cuidar, surge então uma das suas amigas que lhe pede para ela ir tomar conta da sua pensão.
O único hóspede chamava-se Paul e era um homem bonito, inteligente, mas por outro lado era um homem cheio de problemas, medos e dúvidas. Adrienne simpatizou logo com Paul e este com ela e a cada dia que passava a atracção que ambos sentiam um pelo outro era maior.
A partir daqui desenrola-se uma história emocionante, que deixa o leitor colado ao livro.
Bárbara Herculano, 9ºB

Filhos do Abandono

de Torey Hayden
Este livro retrata três casos vividos por Torey Hayden, terapeuta exímia e criativa, licenciada em mutismo electivo. Torey Hayden está empregada num hospital civil, na unidade de pedopsiquiatria. Neste livro, Torey depara-se com uma criança de apenas seis anos que foi raptada pelo próprio pai, o qual só após dois anos a devolveu à mãe. Durante esse período, tudo indica que a criança tenha sido vítima de abusos. O comportamento da criança alterna entre silenciosa e agressiva desde o rapto. Torey, devido a um texto num jornal, recebeu o telefonema do avô de Drake, que era um rapaz de apenas 4 anos, um rapaz carismático e cativante, mas sem um porquê, deixou de falar a não ser com a sua mãe. O avô, um grande homem de negócios, ordena a Torey que o volte a tornar no rapaz cativante e carismático de antigamente. Torey retrata ainda neste livro a sua primeira experiência com adultos, Torey é chamada para ajudar uma idosa a recuperar do mutismo depressivo onde se refugiou após um AVC.
João Paulo Rosa, 9ºB

17 de maio de 2009

O impresso e o digital

Karen Cooper, Sharing the news
A diferença entre o que lê no ecrã do computador e o que lê as páginas impressas é similar à diferença entre o que vê passar um barco e o que vai dentro do barco.
José Manuel Caballero Bonald,
traduzido do espanhol

16 de maio de 2009

Umberto Eco - (Entre)Vista

O Belo e o Feio

O que é o belo?
Porque dizemos que uma coisa é bela e outra é feia?
Porque é que uma coisa é feia em determinado momento e noutro momento é bela? Que critérios regem os nossos conceitos sobre o que consideramos belo e o que consideramos feio?

As nossas opções reflectem os nossos gostos e estes têm por base os conceitos que formamos sobre as coisas. Escolhemos em função da beleza e rejeitamos em função da fealdade. Todavia, os conceitos de belo e de feio estão sempre em movimento e se em certos contextos o belo e o feio se excluem mutuamente, outros contextos há em que belo e feio convivem saudavelmente e precisam um do outro para se completarem.
Mas, como é que em determinado momento uma coisa hedionda se torna bela para um grupo ou vice-versa?
Umberto Eco (n. 5 de Janeiro de 1932), reputado escritor italiano, põe-nos a reflectir sobre o belo e o feio, nos seus dois livros, História da Beleza e História do Feio.

10 de maio de 2009

Cão Cabeçudo de Daniel Pennac

Como bem referiu Michel de Certeau, um erudito e jesuíta francês, o leitor é uma espécie de "caçador furtivo", cuja viagem pela leitura se concretiza por caminhos errantes, cheios de declives e de inesperados... Mergulhado precocemente na magia das histórias da infância, este leitor trilha um itinerário de leituras que ele próprio vai escolhendo e descobrindo, numa aventura de prazer com os textos que supera qualquer programa prévio. Nesta aventura com os textos, o leitor vive o prazer de imaginar, de sonhar, de aprender, de se auto-conhecer, de se formar e de se informar.

E foi em nome deste leitor errante que fugi ao prometido e li num serão um outro livro que não tinha programado, Cão Cabeçudo, de Daniel Pennac. Um livro que aconselho a todos, de todas as idades, e cuja história nos mostra que podemos sempre ser melhores pessoas do que aquelas que julgamos ser.

4 de maio de 2009

O livro digital irá destronar o livro impresso?

Reinaldo Fonseca (Recife, 1925)
Sim 8 (27%)
Nunca 16 (55%)
Talvez 3 (10%)
Não faço ideia 2 (6%)

A julgar pela opinião dos nossos visitantes, o livro continuará bem vivo. Li algures que a viagem da leitura é uma viagem tremenda. Sentimos que algo mudou em nós depois de termos lido um bom livro. Ao contrário, depois de termos assistido a um bom programa de televisão, se quisermos lembrá-lo passados uns tempos, teremos muita dificuldade em o conseguir e o que lembrarmos assemelha-se a uma película de verniz que vai desaparecendo por completo.
Talvez pelo conforto ou pela força do hábito, o livro em formato papel moldou os nossos hábitos e gestos, de tal forma que, para muitos, conforme uma anedota castelhana, um homem com um aspecto terrífico, caminhando na escuridão da noite, fazendo-se acompanhar de livro na mão, é um homem que não há que temer. Isto, também principalmente porque a ideia de livro sempre andou associada a mais cultura. Claro que nem sempre é verdade. Todavia, nos livros, impressos ou outros, temos a oportunidade de sair de um quotidiano enfadonho e de sentir que os dias se tornaram mais ricos, porque viajámos, porque conhecemos outros lugares e outras personagens, ou simplesmente porque esquecemos uma dor de alma, durante a viagem da leitura. Quanto ao livro digital, até ao momento, não me parece que tenha o mesmo efeito que o livro transportado pelo homem de aspecto terrífico...

23 de abril de 2009

Estrela à chuva

Maria Teresa Maia Gonzalez

A Estela, uma rapariga normal, vivia no mundo da fantasia e sonhava ser modelo e cantora. Tinha duas amigas, a Liliana e a Gisela. A Gisela era uma rapariga de raça negra e inteligente, que tinha quatro irmãos e tinha algumas dificuldades em casa, enquanto a Liliana era como a Estela, sonhadora e protegia sempre a sua amiga.
O vizinho e amigo da Estela chama-se Xavier, cujos pais trabalhavam num café. Xavier sofria muito, porque o seu irmão mais velho nunca mais veio à sua casa, porque se tinha casado e nunca mais deu notícias aos pais. Uma história que se vai desenrolar com as personagens a lutar cada uma pelo seu sonho.

Joana Rita, 9ºA

19 de abril de 2009

Sonhador

De Ian McEwan

A história de Peter é talvez a história de muitos leitores adolescentes, que se deixam levar pela magia do sonho. Um sonhador acordado, Peter isola-se do mundo dos adultos e vai-se imaginando na pele de um gato, de um bebé, até acordar na pele de um adulto e se deparar numa aventura até ali desconhecida, a de estar apaixonado. Uma história inesquecível, que nos conta as metamorfoses pelas quais um jovem adolescente vai passando, até chegar à idade adulta.

18 de abril de 2009

Nunca me esqueças

De Leslie Pearse

Nunca me esqueças conta-nos uma história verídica, sobre uma mulher que é deportada para o outro lado do mundo e é sujeita a condições desumanas. Fala da sua coragem, determinação, ousadia e sobretudo da sua inteligência ao fugir da colónia num barco, com o seu marido, companheiros e com dois filhos ainda pequenos. Com muitos conflitos ao longo da viagem, Mary comandou e impôs a ordem no barco, ganhando o respeito dos homens. Quando chegaram ao destino, o seu marido, sob o efeito do álcool, contou a verdade e foram deportados para Londres e lá foram presos. Durante a viagem, o seu marido e a sua filha mais nova morreram e, mais tarde, o mais novo. Passado algum tempo, Mary foi libertada, com a ajuda de advogado que se apaixonou por ela, devido à sua grande coragem e ousadia e conseguiu libertá-la. Quando libertada, Mary reencontrou-se com a sua irmã Dolly e esta convenceu-a a voltar para casa e a enfrentar os pais que nada sabiam do sucedido. Mary voltou para a Cornualha, mas mais nada se sabe da sua vida após a sua saída de Londres.
Isabel R. 9ºA

17 de abril de 2009

Noite Rimada

de Almada Negreiros (1893-1970)

Pela serra ao luar
ia um menino sozinho
sem sono pra se deitar.
Ia o menino a pensar
Porque seria ele só
sem sono pra se deitar.

Ia o menino a pensar
que há tanto por pensar
e a cidade a descansar.
Ia o menino a pensar
porque seria ele só
sem sono pra se deitar.

Quem dorme sem ter pensado
deve ter sono emprestado
não é sono bem ganhado.

Ia o menino a pensar
como poder arranjar
muita força pra pensar.

Ia o menino a arranjar
muita força pra pensar
o próprio sonho ganhar.

15 de abril de 2009

Diário de Bordo: outras formas de ler

Em busca de água...fao/photos/2008
Quando obter água pura se torna num verdadeiro acontecimento, na Birmânia... do delta do rio Irawaddi, a km e km de distância, do outro lado da sociedade de consumo...

Quem ama acredita

de Nicholas Sparks

Jeremy Marsh é um jovem nova-iorquino moderno e elegante e que é jornalista, especialista em desmascarar casos de fraudes sobrenaturais.

Um dia, Jeremy recebe uma carta da pequena cidade de Boone Creek, na Carolina do Norte, que fala de umas luzes misteriosas que têm aparecido num antigo cemitério arruinado. Perante esta situação, Jeremy sente-se curioso e parte à descoberta.

Durante as suas investigações, descobre que há uma lenda que diz que o cemitério era assombrado pelos espíritos de antigos escravos e continua a investigar até arranjar uma razão lógica.

Nesta pacata e pequena comunidade, Jeremy conhece Lexie, que gere a biblioteca local. Enquanto Jeremy pensava que apenas uma semana lhe bastaria para que pudesse desvendar o mistério e regressar a casa, este muda de ideias ao conhecer a doce e prestável bibliotecária.

Os dois apaixonam-se, mas Lexie sente-se hesitante, pois ela já passou por momentos difíceis, devido a desilusões face a relações antigas. No entanto, Jeremy fará tudo o que estiver ao seu alcance para que o seu amor seja possível.


Bárbara Herculano, 9ºB

9 de abril de 2009

Morangos com Açucar - Corpo de Verão

de António Barreira, Elisabete Moreira, Pedro Lopes

Era o dia da final e ela simplesmente o ameaçou que ou ela ganharia o concurso ou contava a verdade sobre ele a toda a gente. Ele fez o que ela não estava à espera e contou em público que era gay, o que a deixou irada, porque havia perdido o que queria ganhar à viva força, chantageando os outros.

Catarina, 9ºA

8 de abril de 2009

Poesia - Mar Português

de Fernando Pessoa

O mar, a grande fonte de inspiração que une e também separa:

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

7 de abril de 2009

O Rapaz do Pijama às Riscas

de John Boyne

Imagine o mundo dividido em dois, separado por uma rede de arame farpado. Imagine duas crianças de 9 anos, uma vestida como mandam as regras das boas famílias e a outra de pijama e gorro às riscas cinzentas, que todas as tardes se encontram secretamente, dando início a uma amizade indescritível, separadas pela distância do arame farpado, contra todas as regras impostas pela sociedade. Uma amizade que começa do nada, quando, do outro lado do arame farpado, num campo de concentração, Bruno vê surgir "ao longe um pontinho que se transformou numa pintinha, depois numa mancha e por fim num vulto que por sua vez se converteu num rapaz de pijama às riscas."
É a história de dois meninos que, como tantos outros, tiveram o azar de viver no tempo de Hitler. Uma história comovente, uma leitura inesquecível!

3 de abril de 2009

Poesia - Mar Português de Fernando Pessoa

Pioneiros na aventura marítima, os portugueses enfrentaram os perigos do mar e levaram a Língua Portuguesa aos quatro cantos do mundo.

Fernando Pessoa deixou-nos esse belíssimo poema "Mar Português" que nos recorda a coragem e o sofrimento que tivemos de viver, para que o mar fosse "nosso" e um brasileiro, Maurício Moreira, musicou-o de forma enternecedora:


Poesia - Fernando Pessoa (1888-1936)

Quando as crianças brincam
E eu as oiço brincar,
Qualque coisa em minha alma
Começa a se alegrar

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.
Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no meu coração.

Poesia - Fernando Pessoa (1888-1936)

«Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjectividade»

Fernando Pessoa in "Livro do Desassossego"

Chamaram-lhe o poeta viajante e, no entanto, viajou muito pouco. Na infância, com cerca de 7 anos, fez a grande viagem física para ir ter com a sua mãe, à Àfrica do Sul, e regressou definitivamente aos 17 anos a Lisboa, onde viveu o resto da sua vida. Na África do Sul, teve a oportunidade de estudar num colégio britânico, onde aprendeu a língua inglesa e tomou contacto com os grandes escritores ingleses.

É hoje considerado um dos maiores poetas do mundo, cujas grandes viagens tiveram como espaço central as palavras com as quais vamos conquistando o mundo. A sua maneira de olhar o mundo levou-o a imaginar-se outros, mostrando que é no respeito pelo outro e pela sua diferença que começa toda a caminhada humana.

1 de abril de 2009

Poesia - Daniela, 9ºA

Os meus dias de rapariga
São diferentes dia para dia
Uns em grande fadiga
Outros com grande correria.

Quando acordo de manhã
Estou sempre ensonada
Como o meu croissant
E fico mais aliviada.

À segunda estou sempre aterrorizada
Porque sei que tenho matemática
Mas fico ainda mais assustada
Quando tenho de a pôr em prática.

Enfim…Eu sou assim
Uma rapariga normal como as outras
Que levam os seus dias sem fim.

Poesia - Elkye, 9ºB

Eu queria ser o sol
Que nos ilumina todos dias
O fogo
Que arde todas recordações
Tristes que vivemos
Sonho ser o ar, tão livre
Sonho ser o imenso céu
Azul.

31 de março de 2009

Diário de Bordo: leitura em espera

Irene Shery (1964, Ucrânia)
O bichinho da leitura ataca todo o leitor, a tal ponto de, em muitos casos, se tornar num leitor compulsivo, que já não troca um bom livro por quaisquer banalidades de revistas de jet set ou de conversas entre "batatas de sofá" (creio que ouvi a expressão a José Jorge Letria). Muito antes de ter acabado o livro que está a ler, o bom leitor já tem por perto o livro que vai ler a seguir, sob o risco de entrar numa crise de histero-neurastenia aguda, caso o final da leitura do livro que está a ler se aproxime e a escolha do livro seguinte ainda não esteja clara.

No cantinho superior esquerdo deste blog, leitura em espera destaca sempre um livro que penso ler nos próximos tempos e sobre o qual emitirei aqui uma opinião.

Isabel Revelles aconselha - 9º B

Uma escolha por amor
de Nicholas Sparks

Uma escolha por amor é um romance típico deste autor que mais uma vez me surpreende com uma belíssima história e com acontecimentos imprevistos. Este romance é dividido em duas partes e, em cada uma delas, Gabrielle e Travis têm de fazer escolhas difíceis para permanecerem juntos. É um livro comovente e com acontecimentos inesperados e difíceis até para o leitor.

30 de março de 2009

Daniela aconselha - 9º A

O Geniozinho
de Maria Teresa Maia Gonzalez

Este livro conta-nos uma história surpreendente, de um rapaz chamado Rodrigo que passava horas e horas a estudar. Tinha as melhores notas da turma e do colégio, era um aluno exemplar. Mas, ao longo da leitura do livro, descobrimos que ele muda por completo. Agora já faltava às aulas para se divertir com os amigos, o que significava um grande desgosto para a sua mãe. Em tempos sonhara ser médico ou algo assim, agora mudara completamente a sua opinião. Queria ser músico! Que mudança tão radical!

Eu gostei muito deste livro, porque representa uma história que acontece a muitos jovens de hoje em dia. Faz-nos abrir os olhos e seguirmos a profissão de que sempre sonhámos e não do que os nossos pais querem que sejamos.

Elkye aconselha . 9ºB

O Terceiro Homem
de Graham Greene

O Terceiro Homem é passado na Viena pós-Segunda Guerra Mundial. Holy Martins chega à cidade sem um centavo sequer, para visitar Harry Lime, seu amigo de longa data. Logo descobre que Harry morreu e em circunstâncias muito suspeitas. Em dúvida de que ele realmente tenha morrido num acidente de carro, parte em busca da verdade, interrogando os envolvidos. Enquanto se faz passar por um célebre escritor, ele dá início à sua própria investigação e busca respostas à pergunta: o que Harry fez para merecer a morte? Entretanto, envolve-se com Anna Schimdt, ex-namorada do falecido.
O Terceiro Homem mergulha-nos um pouco no mundo da espionagem e da Guerra Fria.

29 de março de 2009

Diário de Bordo: incentivo à leitura

Elkye aconselha . 9ºB

Marley e Eu
de John Grogan Marly
Falamos de John e Jenny, um jovem casal apaixonado que estava a começar uma vida a dois, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que rapidamente se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, sujava paredes, babava as visitas, comia roupa do vizinhos e abocanhava tudo a que pudesse. De nada lhe valera os tranquilizantes receitados pelo veterinário nem a "escola de boas maneiras", de onde, foi expulso. Mas, acima de tudo, Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. É um livro Imperdível.

28 de março de 2009

A nossa sugestão: A propósito de Charles Darwin

Darwin e a Verdadeira História dos Dinossauros
de Luca Novalli
Em época de celebração dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin, naturalista britânico do século XIX que se dedicou ao estudo da evolução das espécies e fundou a teoria da selecção natural e para quem gosta de temas da ciência, aqui fica a sugestão do livro de Luca Novelli, da editora Gatafunho, onde temos a oportunidade de aprender quem foi Charles Darwin e como surgiu o Darwinismo.
Nota: livro aconselhado pelo Plano Nacional de Leitura, para o 9º Ano.

24 de março de 2009

Diário de Bordo: outras formas de ler

Por algum motivo, entre 8o baleias e golfinhos que deram à costa ontem na Austrália, apenas onze sobreviveram.

23 de março de 2009

Diário de Bordo: a ordem do verbo

Henri Fantin-Latour (1836-1904)

"O verbo ler não suporta o imperativo" Daniel Pennac

22 de março de 2009

Diário de Bordo: outras formas de ler

Hoje, 22 de Março, dia Mundial da água, no Bangladesh...
Foto: Munem Wasif, Prix Pictet, 2009
O bem mais precioso para a vida e que esbanjamos nas torneiras das nossas casas provoca a morte noutros pontos do planeta, onde os leitos de água têm gradualmente desaparecido, dando lugar a lamaçais e a pequenos ribeiros de águas sujas e contaminadas, fruto da má gestão dos recursos naturais e do aquecimento do planeta.

Diário de bordo: ambiguidades na net


Gerês: Incêndio no Parque Nacional próximo da Mata Albergaria mas "evolui favoravelmente" (Fonte do município dixit)
22 de Março de 2009 (sapo.pt)
Quando um fogo evolui, é favorável a quê? A julgar pela imagem, o fogo evolui favorável a si próprio...

21 de março de 2009

Diário de Bordo: Como escolher um livro


Vieira da Silva, Bibliothèque em Feu, 1974

Como escolher o livro do qual podemos retirar interesse e gosto?
O mundo dos livros é vastíssimo. As possibilidades de escolha são múltiplas. E há livros para todos os gostos. A escolha nem sempre é fácil e a decisão pode mesmo ser má, quando as características do livro impedem o encontro prazeroso entre o mundo do texto e o mundo do leitor.

Algumas dicas:
- a sugestão do título
- o interesse do autor ou porque já conhecemos algum livro dele que nos deleitou ou porque é um autor que nos suscita curiosidade
- a temática do livro sugerida na contracapa
- o prefácio

16 de março de 2009

Poesia - Carlos, 9ºA

Salvador Dali
Os meus dias de rapaz adolescente,
São dias ora iguais, ora diferentes.
Olho o mundo em minha volta,
E vejo muita gente.

Passo o dia a pensar
Só eu sei o que me vai na alma,
Com o coração a palpitar
Vejo alegria ou vejo mágoa.

Meus dias são o sol brilhando
Um sorriso desvairando,
Sempre atento àqueles que me rodeiam,
Vou tentando, ajudando.
A adolescência é um céu
Onde eu sou uma estrela,
Brilhando de noite, escondido durante o dia
Vou sonhar e aprender
Vou amar ou vou morrer.

Os dias são como o vento,
Quem os leva sabe guardar
Um segredo, um pensamento
Para poder melhor contar.

Poesia - O lado poético da Isabel, 9º B

Sonhava em ser o céu
Que presencia tudo
Que sabe tudo

Sonhava em ser o sol
Em ser essencial para o Mundo
Em dar vida ao Mundo

Sonhava em ser o fogo
Em queimar lembranças
Em libertar sensações

Sonhava em ser a terra
Em sentir o Mundo
Em dar base ao Mundo


Salvador Dali

15 de março de 2009

Joana Rita aconselha - 9ºA

A família de Nazaré
de Maria Teresa Maia Gonzalez

A família de Nazaré estava a passar uma fase difícil, pois ainda há pouco tempo a avó de Nazaré tinha falecido e o pai de Nazaré tinha perdido o emprego e, como eram muitos, todos tinham de colaborar.
Nazaré tinha cinco irmãos: o Zé Luís, a Sofia, o Jorge, o Frederico e a Nina (Guilhermina). O Zé Luís é o irmão mais velho, que estudava e começou a trabalhar numa pizzaria, para ajudar os pais. A Sofia é um ano mais nova que a Nazaré e é um pouco embirrante. O Jorge é um rapaz que gosta de escrever muito. O Frederico adora ouvir as histórias que o avô lhe conta e anda no primeiro ano. A Nina era a mais nova e tinha trissomia vinte e um, mas era uma criança adorável. O avô teve de ir morar com eles, porque não podia estar sozinho.
Na escola, Nazaré não gostava lá muito que os rapazes se metessem com ela, por isso afastava-os sempre, mas havia um deles que nunca desistiu de falar com ela e, no final, Nazaré apaixona-se por ele.
Gostei de ler este livro, pois mostra que as famílias grandes são famílias que se inter-ajudam, o que demonstra um grande carinho entre elas.

Diário de Bordo: Porque lemos

Viajar no espaço físico é talvez a forma mais interessante de nos distrairmos e de nos cultivarmos, que não exclui a viagem através dos livros.
Pensando bem, ler é uma necessidade básica que interfere na nossa realização no mundo, pois estamos sempre a ler, porque estamos sempre a interpretar tudo o que nos rodeia – um rosto… uma flor… um sinal… as estrelas… as mãos… os mapas… os livros…
A viagem através dos livros é uma viagem tremenda, que vai moldando a nossa personalidade, como uma teia que se alarga e se fortalece, através das leituras.
Lemos por prazer, por ócio, para aprender, para estarmos informados, por necessidade de pensar e até mesmo para nos distrairmos, quando o tempo é de espera. Lemos desde que existimos, pois tal como precisamos de alimento para o corpo, também precisamos de alimento para o espírito que nos ajuda a compreender a nossa relação com o mundo. Sempre que lemos um bom livro, o nosso horizonte do mundo alarga-se um pouquinho.
E para comunicarmos à distância e representarmos as nossas reflexões e a nossa visão do mundo, inventámos o livro que já passou por tantas transformações: desde os livros de pedra, das tabuinhas, ao papiro, ao codex em pergaminho, ao livro em papel, até chegarmos às mais imateriais formas de livro, o livro em formato áudio e digital. Se há quem receie o fim do livro, parece que a sua própria história nos dá a resposta: “nada se perde, tudo se transforma” e o livro também...

11 de março de 2009

A nossa sugestão

O Velho que Lia Romances de Amor
de Luís Sepúlveda

Uma história adorável, esta de Luís Sepúlveda, escritor chileno que se inspirou na sua visita à Amazónia, o pulmão do mundo, onde reina a lei da selva, para nos contar a história de António José Bolívar Proaño, que foi salvo pelos indígenas da tribo dos Shuar, da mordidela de uma cobra venenosa e com eles aprendeu os segredos da selva, onde os ocidentais destroem, em nome da ambição e da ganância pelo poder e pelo dinheiro.

José Bolívar é um homem especial, que ama a natureza e os animais no seu estado puro e que descobre uma maneira de enfrentar a velhice sem se aborrecer, no seio dos mistérios da Amazónia: analfabeto, aprende a ler, juntando pacientemente letras, nos livros que um dentista lhe trazia da cidade. Mas a história de José Bolívar transforma-se numa verdadeira aventura em defesa da natureza, quando começam a surgir os corpos dos caçadores furtivos, completamente desfeitos pelas garras de feras...

9 de março de 2009

Diário de Bordo

Um livro pode comparar-se ao curso de um rio:
à medida que o vamos lendo,
vamos desvendando imagens, página a página,
quais margens que vão desaparecendo,
à medida que o rio corre em direcção ao mar...

E, entretanto, no movimento das águas,
vamos caminhando,
bem ou mal,
ora caravelas intrépidas
em busca de ilhas de sonho
ora gravetos flutuando
no curso das águas
ora sargaços híbridos
em ribeiros esquecidos....

28 de fevereiro de 2009

Isabel Revelles aconselha - 9º B

Lágrimas coloridas
de Ana Macedo

Lágrimas coloridas conta a história de um adolescente, Luís, que mostra a força com que vence a morte da sua namorada e como combate a loucura e consegue superar todos os problemas, descobrindo a verdade, com o apoio e empenho dos seus amigos. O mistério da morte de Inês, a sua namorada, faz parte do seu dia-a-dia e não ajuda a esquecer, mas a recordar, tornando este livro muito cheio de mistério, o que nos faz ansiar ler sempre a próxima página, até descobrirmos a verdade deste assassinato.

23 de fevereiro de 2009

Diário de Bordo - Ler e pensar



Há leituras que deixam em nós a felicidade pura de um dia de sol...
Outras, deixam-nos agarrados aos pensamentos, como se cada palavra transportasse uma luz e uma sombra que nos deixa a pensar nas entrelinhas...

Neste quadro de Picasso, uma mulher lê, num ambiente de penumbra, onde um candeeiro reflecte a luz sobre as páginas do livro. A sombra em que está mergulhada a cabeça da mulher parece indiciar que a leitura é uma actividade cerebral, que absorve o pensamento.
Das páginas do livro saiem saberes cheios de luz, que entusiasmam a actividade de pensar, a actividade do planeta a mais humana e que nos distingue dos animais.

Este quadro de Picasso pôs-me ainda a pensar sobre a cor do pensamento. O pensamento terá cor? Dizem que o saber é da cor da luz. Muito sinceramente, tenho dúvidas. Se assim fosse, vinha um dia de sol e ficávamos a saber tudo.

Nunca vi a cor do pensamento, mas se o tivesse de representar, seria mesmo cinzento. Porquê? Porque pensar incomoda como andar à chuva, lá dizia um heterónimo de Fernando Pessoa, e quem anda à chuva molha-se, ao experimentar tudo o que um dia de sol não mostra e que se esconde na noite dos pensamentos...